
Nunca vemos o amor chegar, só o vemos a ir-se embora. Estou na paragem, sentada num banco de pau, completamente só. Perdi o teu autocarro e não quero apanhar nenhum outro. Está frio. Um vento seco e cortante faz com que me encolha como um bicho-de-conta. Já não há sonho. Já não há dádiva. Os dias voltam a ser cinzentos e tristes. Agora são todos iguais, sempre iguais. Estudo, respiro, durmo e acima de tudo tento esquecer-te. Deixei de falar de ti e de dizer o teu nome, deixei de o desenhar no espelho da casa de banho, quando o vapor inunda todas as superfícies. Em vez disso, tenho o coração embaciado de dúvidas e o olhar desfocado pelo absurdo do teu silêncio continuado, o olhar de quem aprende a adaptar-se a uma luz desconhecida, a uma nova realidade.
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